DOCUMENTÁRIO - URBANO - WORK IN PROGRESS
Hoje percebi, subitamente, que faço documentários como escrevo livros: mergulho impiedoso no coração das personagens, procuro a imagem que revela o que não se diz, junto duas fotografias aparentemente díspares, para criar significados que não pretendem ser mais do que formas de trazer à luz o invisível que alguém traz dentro. O melhor que posso, com o pouco que tenho.
Hoje, durante a montagem, fiquei mesmo contente de não ter dado ouvidos a quem me aconselha a não me meter nas coutadas privadas, neste caso, o cinema. Como se ir até ao fim de um trabalho criativo com a maior honestidade não tivesse qualquer valor.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
29 de fevereiro de 2008
18 de fevereiro de 2008
A RODA
Pode ser tudo invenção para reconfortar o medo do futuro, mas há uma figura do Tarot que me parece justa: A Roda.
Tudo se move, o bem e o mal, a prepotência e a justiça, os dias claros e os dias escuros.
E se esta crença torna melancólicos os dias felizes, também ilumina, debilmente, os que parecem não ter fim.
Pode ser tudo invenção para reconfortar o medo do futuro, mas há uma figura do Tarot que me parece justa: A Roda.
Tudo se move, o bem e o mal, a prepotência e a justiça, os dias claros e os dias escuros.
E se esta crença torna melancólicos os dias felizes, também ilumina, debilmente, os que parecem não ter fim.
16 de fevereiro de 2008
ÉVORA 2
Foi muito emocionante voltar à Biblioteca Pública de Évora, tantos anos depois.
Serviu-me de refúgio muitas vezes nos conturbados anos de adolescência.
Fechava às 5h, se bem me lembro, o que me obrigava a ler a correr, antes de fazer a pé os 2 ou 3 quilómetros até casa. Mas voltava sempre.
Entrar nela agora guiado pelo seu actual director, José António Calixto, foi uma recompensa inesperada.
Toquei as prateleiras novas, em nome das velhas, agradecendo-lhes as horas, as breves horas, de alegria, desses tempos.
A repetir.
Foi muito emocionante voltar à Biblioteca Pública de Évora, tantos anos depois.
Serviu-me de refúgio muitas vezes nos conturbados anos de adolescência.
Fechava às 5h, se bem me lembro, o que me obrigava a ler a correr, antes de fazer a pé os 2 ou 3 quilómetros até casa. Mas voltava sempre.
Entrar nela agora guiado pelo seu actual director, José António Calixto, foi uma recompensa inesperada.
Toquei as prateleiras novas, em nome das velhas, agradecendo-lhes as horas, as breves horas, de alegria, desses tempos.
A repetir.
14 de fevereiro de 2008

RESPONSABILIDADE SOCIAL
Por razões que não vêm ao caso, fui convidado a pronunciar-me sobre o trabalho de sustentação social de uma empresa. Foi curioso, por ser um tema que me interessa há muito. A ideia que uma empresa deve devolver à comunidade de onde recolhe os seus lucros parte desse enriquecimento.
Não sei se o governo estará a preparar alguma lei nesse sentido, porque sinto movimentações no sector. Mas atendendo à escalada daquilo que os comunistas costumavam chamar, e bem, o "Capitalismo Selvagem", parece-me óbvio que a única coisa que as empresas vão fazer é arranjar esquemas de cobrarem aos clientes essa responsabilidade.
É curioso como no meio desta crise económica, da aflição que está a comer a maior parte da população portuguesa, as grandes empresas ainda se assanhem mais para ganhar dinheiro. Mas, basta observar a natureza para saber que o medo e a dor nos olhos do gamo só atiça mais a violência e voracidade do leão.
Na verdade, penso que estamos todos a cair pela ravina abaixo, predadores e presas misturados, mas se calhar tem de ser assim. Só lá em baixo, do meio das rochas afiadas é que a nova ordem poderá surgir.
13 de fevereiro de 2008
BIBLIOTECA PÚBLICA DE ÉVORA
Vou estar amanhã, 5ª, em Évora, a trocar ideias, em sessão pública e aberta, com o Grupo de Leitura da Biblioteca. O RIO DA GLÓRIA serve de mote para a conversa.
Quem andar pelo Alentejo e quiser ir (lá pelas 21h, suponho) até ao edifício da Biblioteca, poderá participar.
Vou estar amanhã, 5ª, em Évora, a trocar ideias, em sessão pública e aberta, com o Grupo de Leitura da Biblioteca. O RIO DA GLÓRIA serve de mote para a conversa.
Quem andar pelo Alentejo e quiser ir (lá pelas 21h, suponho) até ao edifício da Biblioteca, poderá participar.
7 de fevereiro de 2008
FESTIVAIS
Uma das coisas que mais se diz aos seleccionadores e programadores de de cinema, é que se tem uma rica vida. Passar dias e noites a ver filmes parece o paraíso.
Tentando simplificar a explicação, peço apenas que imaginem um jantar com o vosso prato favorito, mas com uma sopa horrível e uma sobremesa banal. Agora, visualisem o que é comer essa refeição, em meia-dúzia de variantes, durante meses e meses.
É isso, programar festivais de cinema.
Gosta-se muito, mas não é nem fácil nem, frequentemente qualquer coisa parecida com entretenimento.
Como diriam os meus vizinhos do lado: "C'est du travail, quoi!"
Uma das coisas que mais se diz aos seleccionadores e programadores de de cinema, é que se tem uma rica vida. Passar dias e noites a ver filmes parece o paraíso.
Tentando simplificar a explicação, peço apenas que imaginem um jantar com o vosso prato favorito, mas com uma sopa horrível e uma sobremesa banal. Agora, visualisem o que é comer essa refeição, em meia-dúzia de variantes, durante meses e meses.
É isso, programar festivais de cinema.
Gosta-se muito, mas não é nem fácil nem, frequentemente qualquer coisa parecida com entretenimento.
Como diriam os meus vizinhos do lado: "C'est du travail, quoi!"
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